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Reflexão sobre: O Corpo perfeito

Hoje, depois de quase vinte anos oscilando entre o amor e o ódio, a aceitação e a modificação, descobri que tenho um corpo perfeito. Suponho que não seja o corpo mais desejado pelas capas de revistas, comerciais de TV ou passarelas, mas sim, ele é perfeito para mim.

Cada membro, cada detalhe dessa minha “casa” faz parte daquilo que eu me tornei. E se a criança de vinte anos atrás tem orgulho da mulher que sou hoje, por que não teria orgulho do corpo que me trouxe até aqui?

Meus pés, por exemplo, possuem o charme de ter o segundo dedo do mesmo tamanho que o primeiro, ficam inchados no verão e não suportam um salto agulha por mais de dois minutos. Mas são eles, que me levam para passear, para trabalhar, eles que prontamente freiam a moto quando um ser humano abençoado corta minha frente no trânsito, permitindo assim, que minha vida seja prolongada. Sem reclamar, suportam o peso do meu corpo e do mundo, que por vezes eu teimo em carregar nas costas.

Minhas pernas são branquinhas e um pouco furadas por celulites, minhas coxas são grossas e dificultam a entrada de calças sem elastano e tecidos menos flexíveis, mas sem elas eu não poderia ter dado saltos tão altos na cama elástica da vida, sem minhas pernas cheias de vasinhos eu não poderia subir as escadas da minha casa e nem correr ao encontro do maravilhoso futuro que me espera.

Minha barriga não é negativa e ao invés de gominhos e ossinhos aparentes ela possui bordas avantajadas e algumas poucas estrias que adquiri por falta de assiduidade na hidratação com cremes e óleos. Mas só de pensar que um dia essa barriga irá aconchegar e proteger a vida que crescerá em mim, não tenho como não amá-la.

Meus seios são maiores do que eu gostaria e a cada ano que passa ganham uma visitinha da senhora gravidade. Mas sem eles eu não me sentiria tão mulher, tão feminina e tão capaz de encarar a maratona diária que é viver.

Meus braços, que ficam sobrando gordurinhas laterais quando uso uma regata e que possuem pelinhos que eu quero constantemente descolorir, esses braços já ouviram dizer que são deles o melhor abraço do mundo.

Minhas mãos, essas que possuem os dedos tão gordinhos que é difícil encontrar um anel que sirva como uma luva, são as mesmas mãos que ainda são flexíveis e precisas para escrever cada linha desse texto.

Minha boca que em nada se parece com a da Angelina Jolie, meu nariz que foge do patrão e meus olhos que não são azuis, hoje posso dizer que são parte de um corpo perfeito. 

Um corpo que segurou as pontas e se manteve de pé enquanto eu decidia se o amaria ou o deixaria.

Um corpo que pode mudar, ser mais magro, mais firme, mais bonito e quem sabe menos preguiçoso para atividades físicas. Não posso ser hipócrita de dizer que não mudaria nada no meu corpo e também nem posso dizer que minha auto-estima está sempre nas alturas. Mas a partir de hoje, prometo olhar no espelho com olhos menos críticos, menos severos e mais agradecidos, por cada marca, por cada imperfeição.

Por que o corpo perfeito não é aquele modificado por photoshop ou outros 
programas de computação e sim aquele modificado pela passagem de anos bem vividos e cheios de felicidade. 

Entendi que o corpo perfeito é o que eu tenho hoje e por enquanto, isso me basta.

Vanessa Caetano


2 comentários:

Camila Glau disse...

Amei o texto amiga!!
😍😘

Camila Glau disse...

Amei o texto amiga!!
😍😘